Professor de geografia explica por que RS é o indicativo da crise climática no Brasil

 


Alexandre Groth, da Plataforma Professor Ferretto, explica as mudanças climáticas e o que podemos esperar para os próximos anos
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Crédito: Canva

 

São Paulo, maio de 2024 - O aquecimento global de 1,1°C em relação à era pré-industrial, desencadeou mudanças no clima do planeta sem precedentes nas últimas décadas. Dados do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, IPCC, projeta que a evolução da dinâmica climática torne o aumento de 2°C extremamente provável neste século e que poderemos até alcançar a barreira dos 3°C até o ano de 2100.
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O IPCC é o grupo de cientistas estabelecido pelas Nações Unidas para monitorar e assessorar toda a ciência global relacionada às mudanças climáticas. Mas o que significa esse aumento de temperatura e o que ele causa? O professor de geografia Alexandre Groth, da Plataforma Professor Ferretto, explica as mudanças climáticas e o que podemos esperar nos próximos anos.
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Eventos climáticos extremos, como o que ocasionou a situação caótica no Rio Grande do Sul, devem acontecer com cada vez com mais frequência e intensidade, inclusive no Brasil. Entre 26 de abril e 5 de maio, em Santa Maria (RS), precipitou 533 milímetros de chuva, onde a média mensal seria de 151mm. Em Porto Alegre, as chuvas atingiram 418 milímetros, onde a média mensal seria de 114mm. Tivemos recorde também na elevação dos rios como o rio Taquari, que ultrapassou mais de 30 metros.
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“Estamos no final do fenômeno El Niño, mas dessa vez a conjunção de três fatores foram determinantes: a passagem de uma frente fria é normal nesta época do ano na região. No entanto, desta vez ficou estacionária, devido a um bloqueio atmosférico no Brasil Central promovido por um sistema de alta pressão. No estado do Rio Grande tivemos um “cavado” - sistema de baixa pressão para onde convergem os ventos - vindo umidade da Amazônia, pelo oeste, e do Oceano Atlântico, pelo leste”, explica Groth.
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Impacto da seca no norte do país

Enquanto o sul do Brasil enfrenta chuvas intensas e elevação dos níveis dos rios, o cenário no norte e nordeste do país é diferente. A seca prolongada tem afetado severamente a região, causando impactos significativos na agricultura, pecuária e no abastecimento de água. A escassez de chuvas reduz a disponibilidade de água para irrigação e consumo humano, levando à perda de safras e à diminuição da produtividade agrícola.


"Essa elevação das temperaturas contribui para a evaporação mais rápida da água dos corpos d'água, do solo, e da evapotranspiração da vegetação, alterando assim a umidade no ar e a dinâmica das chuvas. Além disso, o desmatamento e as práticas agrícolas inadequadas também desempenham um papel importante na degradação dos recursos hídricos, erosão dos solos e assoreamento dos rios, potencializando a ocorrência das inundações pelo maior escoamento superficial da água em velocidade e volume. Com menor evapotranspiração devido ao desmatamento há também preocupação com o agravamento das secas", explica Groth.


Onda de calor no Sudeste e Centro-Oeste

Enquanto isso, no sudeste e centro-oeste do Brasil, a onda de calor intensa - que bateu recordes de temperatura em diversos estados em períodos mais prolongados - está possivelmente ligada às mudanças climáticas globais. O aumento das temperaturas médias está intensificando o calor extremo nessas regiões “As ondas de calor são caracterizadas por um período prolongado de temperaturas excepcionalmente altas em uma determinada região. Elas são frequentemente causadas por uma combinação de fatores, incluindo a influência de sistemas de alta pressão que bloqueiam a chegada de massas de ar mais frio, a falta de ventos que possam trazer ar fresco e a presença de condições meteorológicas estáveis e secas ", explica o docente.


Quanto às mudanças climáticas e sua relação com esses eventos extremos, Groth destaca que “As mudanças climáticas são fenômenos complexos que resultam da interação de vários fatores, incluindo atividades humanas e processos naturais. O aumento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, devido sobretudo à queima de combustíveis fósseis, ao desmatamento e às queimadas, é um dos principais impulsionadores do aquecimento global. Esse aumento da temperatura média do planeta está causando alterações nos padrões de precipitação e na ocorrência de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e ondas de calor intensas. É fundamental compreender e abordar esses padrões climáticos em evolução para mitigar seus impactos e promover a resiliência das comunidades afetadas."

 

Diante dos danos causados pelas mudanças climáticas e seus impactos, é essencial adotar medidas eficazes para solucionar ou pelo menos mitigar esses problemas, promovendo a sustentabilidade ambiental. “Reduzir a pegada de carbono com a adoção de energias renováveis e o investimento em tecnologias limpas são passos fundamentais para reduzir ou pelo menos desacelerar o aquecimento global e suas consequências. Além disso, políticas governamentais que promovam a conservação ambiental, a construção de barragens, o reflorestamento, a proteção das matas ciliares e a preservação dos dos recursos naturais e os avanços dos sistemas de alerta à população são fundamentais para evitar tragédias”, finaliza Groth.


Sobre a Plataforma Professor Ferretto - A plataforma é uma das maiores do país no segmento e tem o objetivo de oferecer um ensino de qualidade acessível aos jovens. Atualmente, conta com mais de 70 mil estudantes em todo o país, que se preparam para as provas do Enem e dos vestibulares mais importantes com aulas online. Por meio da plataforma, os candidatos podem fazer o seu próprio cronograma, sem sair de casa para estudar. Nesse espaço virtual, têm acesso a diversos materiais e um total de 14 professores das principais disciplinas, todos altamente qualificados e que uniram forças para ensinar, orientar e dar acesso aos conteúdos.

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