Gestações após os 40 crescem quase 60% no Brasil e exigem acompanhamento rigoroso, alerta obstetra




De acordo com o médico Leonardo Gobira, para garantir uma gestação segura, exames específicos são essenciais


De 2010 a 2022, o número de brasileiras que se tornaram mães após os 40 anos cresceu 60% (59,98%), segundo dados do IBGE. A pesquisa confirma uma tendência nacional: cada vez mais mulheres escolhem engravidar mais tarde, motivadas por estabilidade profissional, formação tardia de relacionamentos, priorização de projetos pessoais e maior expectativa de vida. A rotina intensa do mercado de trabalho e o avanço da reprodução assistida também reforçam essa mudança no perfil reprodutivo do país.


O ginecologista e obstetra Leonardo Gobira afirma que essa nova realidade está diretamente ligada ao contexto atual da mulher brasileira. “Hoje, a mulher assume múltiplas funções, estuda mais, conquista posições estratégicas e busca estabilidade antes de pensar em maternidade. A rotina profissional é muito intensa, e isso desloca a decisão de engravidar para uma fase mais madura da vida”, explica.


Apesar da tendência, Gobira reforça que a gestação após os 40 exige atenção especial. “A fertilidade cai bastante a partir dos 40, e a partir dos 45 anos a gravidez natural se torna rara. Existe um limite fisiológico dos óvulos, que deve ser levado em conta no planejamento reprodutivo”, destaca.


Os riscos maternos também aumentam nessa faixa etária, incluindo hipertensão gestacional, diabetes gestacional, abortamento espontâneo, placenta prévia e maior probabilidade de cesariana. Para o bebê, há maior chance de prematuridade, baixo peso, restrição de crescimento e alterações cromossômicas, como síndrome de Down.


“A idade materna é um fator independente de risco. Mesmo mulheres saudáveis podem apresentar complicações típicas desse período reprodutivo. Mas risco não significa impossibilidade, significa necessidade de cuidado”, afirma o especialista.


Para garantir uma gestação segura, exames específicos são essenciais. O NIPT (teste de DNA fetal), ultrassonografia morfológica do 1º e 2º trimestre, doppler obstétrico, avaliação da reserva ovariana e pré-natal com consultas mais frequentes fazem parte da rotina recomendada.


“Acima dos 40, o pré-natal precisa ser mais detalhado. Monitoramos de perto a pressão arterial, glicemia, crescimento fetal e possíveis sinais de pré-eclâmpsia ou restrição de crescimento intrauterino”, detalha Gobira.


Em muitos casos, a reprodução assistida é indicada. “Baixa reserva ovariana, endometriose avançada, trompas obstruídas, infertilidade sem causa aparente e fatores masculinos  são motivos para procurar reprodução assistida. Para mulheres acima dos 43 ou 44 anos, muitas vezes a ovodoação é necessária”, afirma o ginecologista.


Ele também ressalta que estilo de vida não altera a idade dos óvulos, mas contribui significativamente para a saúde da gestação. “Alimentação equilibrada, exercício físico, controle do estresse e sono adequado são fundamentais. Eles ajudam a reduzir riscos de hipertensão, diabetes e melhoram todo o ambiente materno”, explica.


Outro ponto importante é combater os mitos que circulam sobre engravidar após os 40. “Não é verdade que é impossível engravidar nessa idade. Também é falso dizer que toda gravidez tardia terá problemas ou que a fertilização in vitro resolve tudo. As taxas também caem com a idade dos óvulos”, afirma Gobira.


Para as mulheres que desejam ser mães e têm receio da idade, o médico deixa uma mensagem acolhedora. “Cada mulher tem seu tempo. A maternidade após os 40 é completamente possível. O mais importante é ter informação e contar com um acompanhamento personalizado, acolhedor e responsável”, conclui.

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