Especialista explica se há risco de contaminação por vírus Nipah no Carnaval




O vírus Nipah voltou a circular em debates internacionais, levantando a pergunta: o mundo corre risco de uma nova pandemia? E, no caso do Brasil, haveria perigo durante grandes eventos como o Carnaval 2026? Identificado pela primeira vez em 1998, o vírus Nipah é um agente zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos, tendo como principal reservatório natural determinadas espécies de morcegos frugívoros. A infecção pode causar sintomas que variam de quadros respiratórios leves a encefalite grave, apresentando alta letalidade em alguns surtos registrados, especialmente em países do Sudeste Asiático.

De acordo com o biomédico, doutor em Microbiologia Médica e coordenador do curso de Biomedicina da Estácio Ceará, Bruno Amando, apesar da alta letalidade do vírus Nipah, o cenário atual não indica risco pandêmico semelhante ao da Covid-19. “O SARS-CoV-2 é um vírus respiratório, com alta replicação no trato respiratório superior, o que facilitava sua transmissão aérea por gotículas e aerossóis, especialmente em ambientes fechados. Já o vírus Nipah não é um vírus respiratório e possui uma capacidade muito limitada de transmissão entre seres humanos”, explica o especialista.

Segundo Bruno Amando, a principal forma de transmissão do Nipah ocorre por contato direto e próximo com secreções corporais de pessoas infectadas, especialmente em contextos de cuidados sem o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPIs). Além disso, trata-se de um vírus zoonótico, que circula principalmente entre animais, tendo como hospedeiros naturais determinadas espécies de morcegos, além de hospedeiros intermediários considerados amplificadores. “Enquanto o SARS-CoV-2 apresentava alta transmissibilidade e menor letalidade, o Nipah segue o caminho oposto: alta letalidade, porém baixa transmissibilidade. Essa é a diferença central”, reforça.

O biomédico destaca que, teoricamente, o risco pandêmico só aumentaria se o vírus sofresse mutações biológicas que facilitassem sua transmissão entre humanos, como maior replicação no trato respiratório superior, transmissão aérea eficiente ou disseminação por pessoas assintomáticas, características observadas durante a pandemia de Covid-19. No entanto, esse cenário é considerado pouco provável. “No Brasil, não há contato frequente da população com os reservatórios naturais do vírus Nipah, nem com seus hospedeiros intermediários. Isso reduz significativamente o risco de introdução e circulação do vírus no país”, pontua.

Além disso, o Brasil conta com um Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica estruturado e eficiente, com instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que possuem alta capacidade técnica e laboratorial para identificar rapidamente agentes emergentes. “Esse monitoramento envolve vigilância genômica, sequenciamento para identificação de mutações, análise de cadeias de transmissão e estudos de tropismo celular. Tudo isso é acompanhado de perto pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, finaliza Bruno.

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