Restaurante japonês exclusivo de Fortaleza aposta na pesca artesanal do Titanzinho e mira o circuito Michelin

Com apenas cinco lugares por noite, o JU Omakase transforma pescados da costa cearense em uma experiência gastronômica inspirada nos grandes omakases do Japão



Banana (pescador) Marcelo Pimentel, (fundador do Grupo Pim Food, que inclui o projeto JU Omakase) e Rogério Carvalho (Itamae)  Foto: Bruno Albuquerque

 

Em uma rua discreta de Fortaleza, longe das vitrines tradicionais da gastronomia, um pequeno balcão recebe apenas cinco convidados por noite.

 

Ali funciona o JU Omakase, projeto criado pelo empresário Marcelo Pimentel, fundador do Grupo Pim Food, que nasceu com uma proposta ambiciosa: mostrar que a excelência gastronômica japonesa também pode surgir do encontro entre a cultura oriental e a riqueza do litoral cearense.

 

O restaurante opera no formato omakase, expressão japonesa que significa “confiar ao chef”. Não existe cardápio, nem escolha de pratos. Cada experiência é construída diariamente a partir dos ingredientes mais especiais disponíveis, conduzindo o cliente por um percurso de quinze etapas que valoriza técnica, sazonalidade e narrativa.

 

Mas o que torna o JU singular começa muito antes da primeira peça chegar ao balcão.

 

Parte dos pescados utilizados pelo restaurante chega diretamente das jangadas do Titanzinho, uma das comunidades pesqueiras mais tradicionais de Fortaleza.

 

Do mar do Ceará para a alta gastronomia

 

Entre os fornecedores do JU está o pescador conhecido como Banana, jangadeiro do Titanzinho que incorporou à sua rotina uma técnica raramente encontrada na pesca artesanal brasileira: o Ikejime.

 

Criado no Japão há séculos, o método consiste em interromper imediatamente o sistema nervoso do peixe após a captura, reduzindo o estresse do animal e preservando textura, sabor e qualidade por muito mais tempo.

 

A técnica é considerada padrão nos principais restaurantes japoneses do mundo, mas ainda é pouco difundida no Brasil.

 

Ao incentivar e valorizar essa prática, o JU cria uma conexão entre a tradição pesqueira cearense e os padrões exigidos pela gastronomia internacional.

 

“Queremos mostrar que o melhor peixe não precisa atravessar oceanos para chegar a uma grande mesa. Muitas vezes ele já está aqui, sendo capturado por pessoas que conhecem o mar como ninguém”, afirma Marcelo Pimentel.

 

Um novo protagonismo para os jangadeiros

 

Historicamente, pescadores artesanais ocupam uma posição distante das experiências gastronômicas de alto padrão.

 

No JU, essa lógica é invertida.

 

A origem do pescado não é apenas uma informação técnica: ela faz parte da história contada ao longo da experiência.

 

O restaurante busca construir uma rede de fornecimento baseada em rastreabilidade, valorização da pesca responsável e relacionamento direto com os profissionais que vivem do mar.

 

A iniciativa cria uma nova ponte entre dois universos que raramente dialogam: a gastronomia autoral e as comunidades pesqueiras tradicionais do Ceará.

 

Japão e Ceará no mesmo balcão

 

O menu reúne espécies capturadas na costa cearense e ingredientes reconhecidos internacionalmente pela alta gastronomia.

 

Ao longo das quinze etapas, os convidados podem encontrar desde pescados locais submetidos a processos de maturação controlada até produtos como atum bluefin, uni, vieiras, wagyu, foie gras, centolla, caviar e outras iguarias.

 

“O JU é uma homenagem à cultura japonesa, mas com os pés fincados no nosso território. O mar do Ceará é uma das maiores riquezas que temos, e queremos que ele esteja representado em cada experiência”, explica Pimentel.

 

Fortaleza na rota da gastronomia mundial

 

Atualmente, o Guia Michelin concentra suas avaliações no Brasil principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

 

Para Marcelo Pimentel, isso não reflete o potencial gastronômico existente em outras regiões do país.

 

“O Nordeste reúne talento, criatividade, cultura, ingredientes extraordinários e profissionais capazes de entregar experiências comparáveis às maiores referências internacionais. Nosso objetivo é mostrar que Fortaleza pode participar dessa conversa.”

 

Mais do que um restaurante, o JU surge como um projeto que busca reposicionar o olhar sobre a gastronomia nordestina.

 

Marcelo acredita que o melhor pescado é aquele que o mar nos entrega todos os dias.

 

E talvez o primeiro passo dessa história comece justamente onde tudo nasceu: no mar, a bordo de uma jangada do Titanzinho. 

 

Serviço:

Instagram: @ju.omakase

TikTok: @juomakase

Youtube: @juomakase

Site: juomakase.com.br

Reservas: (15) 99112-7457

 

 

 

 

 

 

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